Transcrição de depoimento | GW Cia de Performance por Gil Wanderson

Sobre

A dança urbana dentro das comunidades é primordial. É um trabalho de inclusão dos jovens e inclusão na sociedade. A diferença entre um bairro que existe a dança urbana é totalmente diferente de um bairro que não existe cultura, cultura de massa como a dança urbana. Atrai os jovens de uma forma positiva e inclui eles na sociedade através da arte.

 

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Na Baixada Fluminense é o maior celeiro de artista da dança urbana que existe no estado. Não perde pra nenhuma capital. [Duque de] Caxias é a maior cidade da Baixada Fluminense com praticantes de dança urbana, até porque Caxias é a maior cidade. E o segundo lugar é da onde eu venho, que é Mesquita. Mesquita já tem, há três décadas, um trabalho muito forte.

 

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É um movimento que não para de crescer porque os projetos de danças urbanas criam outros grupos. Um projeto como o meu que tem vinte anos, dentro desse projeto já saíram mais outros vinte grupos. Então o projeto só cresce. Por mais que numa praça como essa aqui hoje não tenha, pode ter certeza que amanhã vai ter um grupo ocupando esse espaço aqui. O bom que isso cria um profissional, cria um novo projeto, o movimento vai sempre crescendo. Não é à toa que hoje é um fenômeno, a dança hoje que tem mais movimento a nível social é a dança urbana.

 

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Há uma resistência muito grande para os artistas de rua se integrarem nos grandes negócios. Ser um artista performático dentro da Baixada é complicado. A maioria dos artistas da Baixada tem que sair de lá pra poder trabalhar. Tem que estar na zona sul, tem que estar no norte e nordeste, tem que estar saindo do estado. Se não for assim, não funciona, na baixada é muito complicado.

 

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Foi uma dança que ocupou um espaço que há quinze anos atrás não tinha. Era um sonho, né? As pessoas estarem tomando todos os videoclipes, estarem em cena de novelas. Pô, as danças urbanas estão na abertura do Fantástico. Onde o balé clássico e contemporâneo ocupou durante anos.

 

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A GW foi criada para ser uma companhia plural e não linear. Então, logo de cara a gente quer tirar o rótulo dela. É uma companhia artística, de modo geral. Por mais que o forte seja a dança, o bailarino tem como base a dança, mas, em compensação ele tem que aprender a cantar, a sapatear, a atuar… assim como os artistas circenses fazem. Como eu já fui aluno de escola de circo eu vi que lá o artista é plural, ele não tem rótulo. O artista circense é o mesmo que vende pipoca é o cara que tá no picadeiro fazendo de tudo. E a ideia de ser uma companhia de performance foi por conta disso.

 

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O processo de composição da companhia é um projeto coletivo. A gente tira um pouco de cada um, dos bailarinos, apesar de eu estar dirigindo, de dar a palavra final, mas o trabalho de composição é um trabalho coletivo. Pra não ficar um trabalho direcionado, com um formato único. Então a gente sempre trabalha de modo coletivo pro trabalho ser um trabalho amplo artisticamente falando.

 

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Hoje a influência da internet é muito grande. Então hoje você não encontra uma dança urbana clássica, é uma dança urbana cheia de moda, de novidade. E são coisas efêmeras, e tem coisas que se mantém. Então hoje é totalmente diferente de antigamente.

 

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Michael Jackson, James Brown, não tem como fugir das referências clássicas que trouxeram as danças urbanas pra mídia de um modo geral. Apesar de ter outras influências não conhecidas na mídia, esses foram os grandes mesmos que impulsionaram a chegar até hoje.

 

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O EntreDança – ainda mais esse formato – que é o corpo negro, eu acho que durante muitos anos as pessoas ainda vão comentar sobre o projeto. Porque trouxe uma referência que muitos mercados já desconheciam. A importância da dança negra pro cenário artístico é muito viva, porém um pouco distanciada com essa coisa do embranquecimento artístico, de tomar as grandes casas. A dança negra foi cada vez perdendo espaço. E agora o Sesc com o EntreDança trouxe à tona uma coisa que as pessoas vão comentar durante muitos anos.